O Programa Mundial de Alimentos da ONU alertou nesta sexta-feira que teria de fazer cortes mais profundos em sua ajuda a Gaza, onde apoia 70% da população, a menos que seja garantido financiamento adicional.
As declarações vêm depois que a recomendação Integrada de Fases de Segurança Alimentar, órgão global de monitoramento da fome, informou que mais de dois terços dos habitantes de Gaza poderiam enfrentar fome aguda até o final do ano, à medida que agências humanitárias reduzem o fluxo de ajuda devido à escassez de recursos.
A maioria da população depende de suprimentos de ajuda após dois anos de guerra, deslocamentos repetidos e restrições severas impostas por Israel às entregas de ajuda.
As conclusões do monitor mostraram que o número de pessoas enfrentando fome aguda havia caído para 1,2 milhão entre meados de abril e o final de junho.
No entanto, espera-se que esse número aumente para mais de 1,4 milhão de pessoas, ou 67%, até dezembro, informou o órgão, alertando que os avanços estão em risco à medida que a assistência começa a diminuir.
“Sem financiamento suficiente, seremos forçados a reduzir a assistência às pessoas que dependem dela para sobreviver”, disse Ross Smith, diretor de preparação e resposta a emergências do PMA, a repórteres em Genebra por videoconferência de Roma.
Embora o aumento dos custos operacionais relacionados à guerra no Irã — que provocou um aumento nos preços do petróleo e interrupções na cadeia de abastecimento — tenha sido um fator, a principal questão é o cansaço dos doadores, à medida que a atenção global se volta para outros assuntos, disse Smith, sem fornecer detalhes sobre quais recursos foram perdidos.
O programa informou que precisa de mais de US$ 420 milhões para manter as operações em Gaza e na Cisjordânia ocupada até o final do ano.
Neste mês, a assistência em dinheiro para 75 mil pessoas foi reduzida em 25%, enquanto 220 mil famílias viram suas rações alimentares reduzidas pela metade, disse Smith. Até outubro, o PMA terá que fazer cortes muito mais profundos, a menos que seja garantido financiamento adicional, afirmou Smith.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirma que o país não restringe a entrada de alimentos em Gaza e facilitou a entrada de mais de 1,8 milhão de toneladas de alimentos no enclave desde o cessar-fogo de outubro de 2025.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
